quinta-feira, 9 de abril de 2009

As fertilidades dos solos III

A fertilidade tanto física quanto química pode ser natural ou construída/melhorada.

Geralmente em nossos Latossolos a fertilidade física é naturalmente boa, pois são solos bem drenados, profundos, com uma boa capacidade de armazenarem água ao mesmo tempo que são bem arejados, mas do pondo de vista químico geralmente já estão bastante exauridos em nutrientes, especialmente de bases.

Mas a fertilidade química se constrói com o efeito residual do uso de fertilizantes ao longo do tempo, o que tem acontecido nos Latossolos do Cerrado explorados intensamente para o plantio de arroz, soja e milho, por exemplo, e mais recentemente muito com a integração lavoura-pecuária, onde as forrageiras utilizadas como pastagem para pecuária de corte beneficiam-se dos resíduos de fertilizantes das culturas anuais.

A fertilidade física também se constrói, ou se recupera em solos intensamente cultivados, por meio de práticas como as utilizadas nos sistemas de cultivos mínimos, como a semeadura direta, por contribuírem para diminuirem os tráfegos de maquinários que trazem como consequencias as compactações dos solos.

A principal idéia é a necessidade de se manter um equilíbrio entre a fertilidade física e química, que são quase como antagônicas, sejam elas ocorrendo de maneira natural ou construída.

16 comentários:

Elton Valente disse...

Mr. Locatelli,

Estou apenas registrando minha passagem aqui pelo EdafoPedos.
Parabéns pela iniciativa e pelo nome do Blog.

Sucesso!

Elton.

msg disse...

Caro Marcus

Estou aprendendo. Nada sabia sobre latossolos.
Um esclarecimento sobre o "efeito residual do uso de fertilizantes". Em que formas ficam o K,o Ca,o Mg,o N,o P,o S,os micronutrientes?
É querer saber muito? Posso esperar,tenho todo o tempo do mundo,como aqui se diz.
Um abraço

Marcus V. Locatelli disse...

Obrigado Elton.
Manuel, sobre a permanência residual e a formas nas quais os fertilizantes ficam nos solos, acredito que principalmente ficam adsorvidos nas superfícies dos colóides de argila e das susbtâncias orgânicas, estas últimasacredito serem ainda mais importante para a retenção do P que possa vir a ser disponibilizado para as culturas no futuro (ou seja, o P que adianta ter!). Com o tempo de cultivo sob plantio direto (e sistemas integrados lavoura-pecuária) a tendência é aumentar os teores de matéria orgânica dos solos aumentando assim a CTC.
Espero ter ajudado.
Abraços

msg disse...

Marcus

Muito obrigado pela pronta resposta. Formas à parte,a fertilidade física desses solos parece
compensar,de algum modo,a sua intrínseca baixa fertilidade química. É que as raízes têm muito por onde esgravatar,ao contrário do que sucede em solos delgados,como os há aqui em abundância.
Mais uma vez,obrigado.

msg disse...

Marcus

Obrigado pela visita. Sabe Marcos,já me custa andar,pelo que "navego".
Mais uma vez,obrigado.

Marcus V. Locatelli disse...

Tocou em um ponto interessante Manuel, quimicamente os solos daí são bastantes férteis, embora que fisicamente por causa da pedregosidade e baixa profundidade nem tanto.
Inclusive por aqui para implantação de sistemas agrícolas de alta tecnologia têm-se preconizado mais as boas qualidades físicas do que as químicas, porque é mais simples corrigir a fertilididade química com adubo do que alterar as propriedades físicas.
Além do fato desses nossos solos mais pobres em nutrientes, predominando argilas de baixa atividade, serem mais responsíveis às doses de fertilizantes empregadas, ou seja, são menos tamponados do que os de argilas de alta atividade.

msg disse...

Marcus

Os solos delgados daqui,que os há em quantidade,derivam,em grande parte, de granitos e de xistos,e também de arenitos. Nestes e noutros,a ilite está presente,em maior ou manor quantidade,pelo que se pode dizer que dispensam potássio. O azoto,pode dizer-se,é quase sempre necessário,porque,como sabe,tirando os solos orgânicos,mais tarde ou mais cedo ,aparece na forma nítrica,pelo que não é retido pelo complexo argilo-húmico,aqui,de carga negativa.
Quanto ao fósforo,continuará a ser necessário,pois os solos,no geral,aqui como aí,naturalmente,não abundam nele,ainda que nalguns sítios,aqui,como noutros países,por via de sucessivas adubações e da forte fixação,quase o dispensaram.
Tudo isto que fica aí tem o Marcus de o tomar sob reserva,pois eu estou retirado das lides agrárias há já uma vintena de anos,quase a sua idade. É mais conversa fiada.
Um abraço,e obrigado pela atenção.

marta loewenstein disse...

oi, Marcus
nos conhecemos do outro site e das listas
sugestão para vc incluir aqui: a acidez x fertilidade, ou seja solos ácidos (-) férteis x sólos básicos (+) férteis - podemos constatar isso nos vales com solos oriúndos da lixiviação do granito (rocha com Ph ácido) e solos oriúndos da lixiviação do basalto (rocha com Ph básico)
a fertilidade dos solos tipo terra roxa (lixiviação do basalto) são exponencialmente mais férteis do que os arenosos oriúndos de formações graníticas (diferenças de fertilidade entre o planalto mineiro e o planalto paranaense) - a correção do Ph ácido seria feita somente com cal?

parabéns pelo blog - a leitura está interessantíssima
abraços

Marcus V. Locatelli disse...

Manuel, como sempre vc aborda temas com exatidão cirúrgica. Cada nutriente é um caso, e cada lugar que estamos falando também. Vamos desenvolvendo esses assuntos nos próximos posts, é impossível contê-los em um só.
Marta, por cá visitar também.
Sobre a gênese dos solos por meio do intemperismo das diferentes rochas a conversa é longa também, infitos posts não a esgotaria. Por exemplo temos que os granitos do médio Jequitinhonha num clima semi-árido originaram Planossolos Nátricos, solos caracterizados pelos altos teore de sódio, que não foi lavado do sistema justamente por falta de ter chovido o suficiente para isso... Solos com pH muito elevado é até mais prejudicial que solos mais ácidos, eu diria, bem mais difíceis de corrigir.
Usualmente eleva-se o pH dos solos com o uso de escórias de siderurgia, mas estas trazem o risco de contaminação por metais pesados...
Vamos ir conversando!
Abraços

msg disse...

Marcus

Despertou-me a atenção o ter escrito ser usual o uso de escórias de siderurgia para elevar o pH,e não calcário. Porque será? Tratará do assunto mais tarde,pelo que posso esperar.
Um abraço

Marcus V. Locatelli disse...

Manuel boa observação, me expressei mal com o "usualmente", dei a entender, imagino, que é o mais comum/rotineiro, o que não seria verdade.
Existe (ou existiu?) um grande lobby das siderúrgicas quanto à utilização das escórias em atividades agrícolas como corretivo da acidez dos solos, com isso elas se livrariam do problema que era a destinação adequada desses materiais. Mas o que mais se usa é mesmo o calcário. Dentre muito componentes as escórias de siderurgia tem sais a base do ânion silicato (ácido fraco), em grande parte a isso se deve ao seu poder de neutralizar a acidez do solo.

msg disse...

Marcus

Veja lá como as coisas são. Com a sua indicação,vim a cruzar-me com o seguinte:Evaluation of silicate iron slag amendment on reducing methane emission from flood water rice farming.
Desculpe estar a perturbar o seu trabalho,mas pareceu-me interessante.
E obrigado pelo esclarecimento.

Marcus V. Locatelli disse...

Muito nteressante, Manuel.
Os carbonos dos carbonatos nos calcários são fósseis também, e no caso do arroz assim como em outras muitas Poaceaes os silicatos lhes conferem maior resistência às doenças. Mas o que não é muito divulgado são os teores eventualmente elevados de metais pesados nas escórias.

ARG disse...

Marcus

Como sabe,o solo é sede de muita reaçção,porque nele coexistem vidas várias. E as explicações para uma ocorrência podem ser várias também.
Neste caso das "slags" no arrozal,vêm com a oxidação-redução.O Ferro trivalente aliviaria a formação de metano,que,como se sabe,é gerado em condições de redução. Referem também acréscimos de produção,o que pode ter outra explicação.
Enfim,o solo,os solos,melhor dito,são um meio muito vário. Os agrónomos não podem ter vida fácil.Cada caso é um caso,pior ainda,do que na medicina,em que,de facto,cada caso,é ,também,um caso. Com uma grande diferença,porém,,é que a gente queixa-se. Dizemos onde dói.
Desculpe o arrasoado,e muita saúde.

msg disse...

Marcus

Apresso-me a um acrescento. Veja lá que me esqueci das plantas,das culturas. Elas não perdoariam se as omitisse. As espécies ,as cultivares,sempre em renovação,que os melhoradores não descansam.
Que vida complicada a dos agrónomos,rodeados de variedade nervosa por todos os lados.Que vida complicada.
Pronto,já me devem ter perdoado as plantas,as culturas,e o Marcos também.

Cristiano de S. Marchesi disse...

Bom Marcus, desculpe-me descordar de você nessa responsabilização que você deu ao problema da fertilidade física no Latossolos ser originada por compactação. Conforme dá entender ao ler seu texto, conforme parte final da transcrição:

"A fertilidade física também se constrói, ou se recupera em solos intensamente cultivados, por meio de práticas como as utilizadas nos sistemas de cultivos mínimos, como a semeadura direta, por contribuírem para diminuirem os tráfegos de maquinários que trazem como consequencias as compactações dos solos."

Ressalvando que claro que não deixa de ser um problema e tal mas, vejo que o consenso para as pesquisa a respeito do assunto seria que o excesso o mesmo simplesmente a pratica de revolvimento do solo periodia acelera a taxa de decomposição da Matéria Orgânica que é um dos principais agentes cimentantes das particulas primárias do solo (area, silte e argila em tamanho não coloidal) possibilitando a agregação e estruturação do solo, ou seja, a "organização" porosa do mesmo (existência de uma densidade aparente agronomicamente melhor).
No mais vejo que as práticas conservacionistas visam no final das contas o acúmulo de maretial organico para que este colabore com uma melhor agregação do solo... e claro, existem diversos outros beneficios diretos e indiretos.